terça-feira, 27 de março de 2012

Pontuar é preciso II (Respostas)

PONTUAR É PRECISO II (RESPOSTAS)


            Um dos maiores absurdos do ensino de português é tentar ensinar o aluno a usar os sinais de pontuação por meio da análise sintática. Por que o indivíduo chega à idade adulta “com medo” de pontuar?
São poucos os alunos que conseguem separar o sujeito do predicado. O que se dirá de professores que “ensinam” que não se deve separar por meio de vírgula o verbo transitivo direto do objeto direto, o núcleo do objeto indireto de seu adjunto adnominal, o termo regente do complemento nominal do termo regido e assim por diante? E o que se dirá de professores que afirmam que, por outro lado, deve-se colocar vírgula entre a oração principal e a oração subordinada, principalmente se esta estiver deslocada, que se deve colocar vírgula entre a oração principal e a oração subordinada adjetiva explicativa (mas não, se a oração for adjetiva restritiva) e assim por diante? Qual é o indivíduo, qual é o jornalista, qual é o escritor que se lembra dessas regras bolorentas ao redigir o seu texto?
            Saber pontuar é, antes de tudo, ter muito contato com o texto. Mas isso não basta. É necessário que o professor de português faça exercícios específicos sobre pausas na leitura. O aluno precisa ter o hábito de pontuar. Assim como é possível fazer leituras em voz alta em sala de aula, obedecendo às pausas, é possível também fazer com que o aluno releia o seu texto em voz alta, sempre tomando muito cuidado com as pausas, como veremos a seguir.

VÍRGULA

I – Observe o modelo:                                                 

Fernanda [   ,    ] Waldênia e Reinaldo são alunos desta turma.     

Leia a frase em voz alta, dando ênfase à vírgula. Em outras palavras, entre Fernanda e Waldênia existe uma pequena pausa, que corresponde a uma vírgula.
Proceda da mesma forma com as frases que se seguem, ou seja, leia-as em voz alta e, quando houver uma pausa, coloque uma vírgula entre colchetes.

1 – Nélia[,] Bárbara e Aparecida destacam-se como boas alunas.
2 – Os professores[,] os alunos e a comunidade deveriam se interessar pelo projeto.
3 – Os livros infantis[,] as revistas em quadrinhos e os almanaques podem ficar na estante da esquerda.

                  Þ Observe: quando se usa e, não há necessidade de colocar vírgula.

4 – Os estudantes[,] os professores os funcionários e os pais se mobilizaram contra a nova medida do governo.
5 – Todas as ruas[,] avenidas[,] praças e logradouros públicos deverão ser cadastrados.
6 – Os alunos provenientes de outras escolas[,] os professores recém-contratados e os funcionários não-concursados     irão se reunir hoje à tarde.
                                         Ý
                                        Aqui se pode fazer uma pequena pausa, é verdade, mas não se coloca vírgula, porque irão se reunir se refere ao que foi dito antes, ou seja, está ligado ao que já foi dito.
                            Em outras palavras:
                            Do mesmo modo como não faz sentido colocar vírgula na frase abaixo,

                            Os professores  ,      irão se reunir hoje,

        também não faz sentido colocar vírgula na frase 6 acima, no lugar indicado pela seta.

7 – Os livros de história[,] os cadernos de matemática e as pastas de desenho estão reunidos no armário.
8 – As crianças[,] os idosos[,] os deficientes físicos e as gestantes não precisam entrar na fila.
9 – Os atletas compraram bolas[,] camisas e raquetes.
10 – Este autor escreve poemas[,] contos e peças teatrais.
11 – O Prefeito de Belo Horizonte quis se referir aos aposentados[,] aos funcionários efetivos e aos concursados.
12 – Meus vizinhos gostam de computador[,] de televisão[,] de videoquê e de sanduíche.
13 – Os velocistas correm contra o vento[,] contra os competidores e contra o poder econômico.
14 – O artigo fez referência aos brancos[,] aos índios e aos negros.
15 – A sentença proferida pelo Juiz foi favorável aos proprietários[,] aos inquilinos[,] aos síndicos e aos visitantes.
16 – Trata-se de uma casa grande[,] moderna[,] ventilada e segura.
17 – Os contribuintes reincidentes[,] faltosos e omissos serão chamados na segunda etapa.
18 – Devemos agir com moderação[,] justiça e grandeza de caráter.
19 – Durante a segunda quinzena de junho[,] haverá muitas festas juninas em meu bairro.
20 – Com base no Código Nacional de Trânsito[,] os motoristas foram autuados em flagrante.
21 – Depois do prazo combinado[,] a polícia arrombou a portaria.
22 – Nas cidades ribeirinhas[,] o único alimento que não falta é o peixe.
23 – Com muito cuidado[,] o turista colocou no lugar a peça desaparecida.

II – Nos exemplos que se seguem, você não precisa mais indicar as pausas com os colchetes, mas continue a ler as frases em voz alta e a colocar vírgula nas pausas:

1 – Nas ilhas pertencentes ao Peru, os pesquisadores americanos encontraram exemplares de um lagarto pouco conhecido.
2 – A banda conseguiu, durante os últimos trinta minutos do show, um fato inédito: o silêncio total dos presentes.
3 – Dom Pedro II, Imperador do Brasil, foi um monarca sábio.
4 – Entre os livros de Machado de Assis, famoso escritor brasileiro, encontram-se Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro.
5 – Nuvens escuras apareceram no céu, sinal de tempestade iminente.
6– Mensageira da ideia, a palavra é a mais bela expressão da alma humana.
7 – A verdade, meus alunos, é que a mentira gera desconfiança.
8 – Meu Deus, por que me abandonastes?
9 – Podemos afirmar, senhores, que o nosso esforço foi recompensado.
10 – Os dias passam, as estações se sucedem.
11 – A palavra vale prata, o silêncio vale ouro.
12 – O braço constrói, o espírito eterniza.
13 – Os meninos pediram, choraram, imploraram até conseguirem o que queriam.
14 – Mudamos de paixões, mas não vivemos sem elas.
15 – Elas trabalham de sol a sol, porém recebem salários irrisórios.
16 – O mar é generoso, porém às vezes se torna cruel.
17 – As crianças são assim mesmo: ora participam de tudo, ora se retiram para o seu mundo.
18 – Penso, logo existo.
19 – Os professores deste colégio são sábios, por conseguinte merecem respeito.
20 – Deus, que é nosso pai, nos salvará.
21 – Ele tem amor às plantas, que cultiva com carinho.
22 – A mãe, que era surda, estava na sala com ela.
23 – Como as máquinas estão ocupadas, faremos o trabalho à mão.
24 – O professor ficou satisfeito, embora os resultados não fossem os esperados.
25 – Só poderíamos falar em desenvolvimento, se as taxas estivessem mais elevadas.
26 – Convidaremos os vizinhos, desde que todos venham.
27 – A empresa fará suas compras no país, a fim de prestigiar a indústria nacional.
28 – Quanto mais as cidades crescem, mais problemas vão surgindo.
29– Enquanto a formiga trabalhava, a cigarra cantava.
30 – Embora houvesse muita gente no estádio, nada de grave aconteceu.
31 – Não me impedirão de vir aqui hoje, ainda que tentem.
32 – Se tudo corresse bem, eles chegariam antes do anoitecer.
33 – À medida que o governo perdia força, a oposição aumentava sua influência.
34 – Construíram barreiras de pedra na entrada da cidade, para que a torrente de lama não invadisse as ruas.
35 – Apareceram estrelas no céu, assim que o sol se pôs.




terça-feira, 20 de março de 2012

Pontuar é preciso I

PONTUAR É PRECISO I

(AS RESPOSTAS SERÃO DADAS NA PRÓXIMA POSTAGEM)

DESAFIO

Þ Na passagem abaixo, extraída de uma revista, foram retirados os sinais de pontuação. Tente fazer a pontuação adequada. Observe como fica confusa a leitura de um texto que não apresenta os sinais de pontuação:

“É sempre assim chega a Páscoa você consome chocolate em porções além do razoável e ao final da comilança vem o remorso quer uma boa notícia para diminuir seu sentimento de culpa cientistas da Universidade da Califórnia nos Estados Unidos descobriram que o chocolate pasmem faz bem à saúde”



VÍRGULA

I – Observe o modelo:                                                 

Fernanda [   ,    ] Waldênia e Reinaldo são alunos desta turma.     

Leia a frase em voz alta, dando ênfase à vírgula. Em outras palavras, entre Fernanda e Waldênia existe uma pequena pausa, que corresponde a uma vírgula.
Proceda da mesma forma com as frases que se seguem, ou seja, leia-as em voz alta e, quando houver uma pausa, coloque uma vírgula entre colchetes.

1 – Nélia Bárbara e Aparecida destacam-se como boas alunas.
2 – Os professores os alunos e a comunidade deveriam se interessar pelo projeto.
3 – Os livros infantis as revistas em quadrinhos e os almanaques podem ficar na estante da esquerda.

                  Þ Observe: quando se usa e, não há necessidade de colocar vírgula.

4 – Os estudantes os professores os funcionários e os pais se mobilizaram contra a nova medida do governo.
5 – Todas as ruas avenidas praças e logradouros públicos deverão ser cadastrados.
6 – Os alunos provenientes de outras escolas os professores recém-contratados e os funcionários não-concursados     irão se reunir hoje à tarde.
                                         Ý
                                        Aqui se pode fazer uma pequena pausa, é verdade, mas não se coloca vírgula, porque irão se reunir se refere ao que foi dito antes, ou seja, está ligado ao que já foi dito.
                            Em outras palavras:
                            Do mesmo modo como não faz sentido colocar vírgula na frase abaixo,

                            Os professores  ,      irão se reunir hoje,

        também não faz sentido colocar vírgula na frase 6 acima, no lugar indicado pela seta.

7 – Os livros de história os cadernos de matemática e as pastas de desenho estão reunidos no armário.
8 – As crianças os idosos os deficientes físicos e as gestantes não precisam entrar na fila.
9 – Os atletas compraram bolas camisas e raquetes.
10 – Este autor escreve poemas contos e peças teatrais.
11 – O Prefeito de Belo Horizonte quis se referir aos aposentados aos funcionários efetivos e aos concursados.
12 – Meus vizinhos gostam de computador de televisão de videoquê e de sanduíche.
13 – Os velocistas correm contra o vento contra os competidores e contra o poder econômico.
14 – O artigo fez referência aos brancos aos índios e aos negros.
15 – A sentença proferida pelo Juiz foi favorável aos proprietários aos inquilinos aos síndicos e aos visitantes.
16 – Trata-se de uma casa grande moderna ventilada e segura.
17 – Os contribuintes reincidentes faltosos e omissos serão chamados na segunda etapa.
18 – Devemos agir com moderação justiça e grandeza de caráter.
19 – Durante a segunda quinzena de junho haverá muitas festas juninas em meu bairro.
20 – Com base no Código Nacional de Trânsito os motoristas foram autuados em flagrante.
21 – Depois do prazo combinado a polícia arrombou a portaria.
22 – Nas cidades ribeirinhas o único alimento que não falta é o peixe.
23 – Com muito cuidado o turista colocou no lugar a peça desaparecida.

II – Nos exemplos que se seguem, você não precisa mais indicar as pausas com os colchetes, mas continue a ler as frases em voz alta e a colocar vírgula nas pausas:

1 – Nas ilhas pertencentes ao Peru os pesquisadores americanos encontraram exemplares de um lagarto pouco conhecido.
2 – A banda conseguiu durante os últimos trinta minutos do show um fato inédito: o silêncio total dos presentes.
3 – Dom Pedro II Imperador do Brasil foi um monarca sábio.
4 – Entre os livros de Machado de Assis famoso escritor brasileiro encontram-se Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro.
5 – Nuvens escuras apareceram no céu sinal de tempestade iminente.
6– Mensageira da ideia a palavra é a mais bela expressão da alma humana.
7 – A verdade meus alunos é que a mentira gera desconfiança.
8 – Meu Deus por que me abandonastes?
9 – Podemos afirmar senhores que o nosso esforço foi recompensado.
10 – Os dias passam as estações se sucedem.
11 – A palavra vale prata o silêncio vale ouro.
12 – O braço constrói o espírito eterniza.
13 – Os meninos pediram choraram imploraram até conseguirem o que queriam.
14 – Mudamos de paixões mas não vivemos sem elas.
15 – Elas trabalham de sol a sol porém recebem salários irrisórios.
16 – O mar é generoso porém às vezes se torna cruel.
17 – As crianças são assim mesmo: ora participam de tudo ora se retiram para o seu mundo.
18 – Penso logo existo.
19 – Os professores deste colégio são sábios por conseguinte merecem respeito.
20 – Deus que é nosso pai nos salvará.
21 – Ele tem amor às plantas que cultiva com carinho.
22 – A mãe que era surda estava na sala com ela.
23 – Como as máquinas estão ocupadas faremos o trabalho à mão.
24 – O professor ficou satisfeito embora os resultados não fossem os esperados.
25 – Só poderíamos falar em desenvolvimento se as taxas estivessem mais elevadas.
26 – Convidaremos os vizinhos desde que todos venham.
27 – A empresa fará suas compras no país a fim de prestigiar a indústria nacional.
28 – Quanto mais as cidades crescem mais problemas vão surgindo.
29– Enquanto a formiga trabalhava a cigarra cantava.
30 – Embora houvesse muita gente no estádio nada de grave aconteceu.
31 – Não me impedirão de vir aqui hoje ainda que tentem.
32 – Se tudo corresse bem eles chegariam antes do anoitecer.
33 – À medida que o governo perdia força a oposição aumentava sua influência.
34 – Construíram barreiras de pedra na entrada da cidade para que a torrente de lama não invadisse as ruas.
35 – Apareceram estrelas no céu assim que o sol se pôs.


quarta-feira, 14 de março de 2012

CRASE (Respostas)

            Esta postagem é apenas um aperitivo. No meu livro Gramática nunca mais 2 (Editora Comunicação de Fato), você encontrará muito mais exercícios e muito mais explicações sobre esse e outros assuntos.

Observe que em todas essas lições a gramática (teoria, classificação, nomenclatura) não é utilizada, pois é esse exatamente o objetivo do livro.


DESAFIO

 Þ Vamos ver se você é capaz de preencher os espaços corretamente com a, as, à, às:

1 - A partir de janeiro, as prestações deverão ser pagas no Banco Nova Vista.

2 – No caixa 1 serão feitos pagamentos à vista e no caixa 2, pagamentos a prazo.

3 – Todos deverão se apresentar à Diretora, às quatorze horas.

4 – Os reclamantes disseram que vão recorrer à justiça.

5 – Sentou-se à mesa e começou a escrever à máquina.

6 – Decidiu não mais voltar à Argentina, mas retornou a Portugal depois de dois meses.

7 – O ar cheira à gasolina.

8 – Mariana comprou alguns quadros a óleo para enfeitar a minha sala.

9 – Chegamos à portaria às nove horas, para assistir à inauguração da escola.

10 – À direita havia nomes gravados a canivete.


        Veja como está a sua cotação:

                  16 a 20 acertos      →      Ótimo

                  11 a 15 acertos       →      Bom

                  6 a 10 acertos             →      Regular

                  1 a 5 acertos             →       Atenção   

 Þ Observe:

 Iremos a praia.     →     Iremos à praia.

 Iremos ao museu.


(Ao substituirmos a palavra feminina praia pela palavra masculina museu, o a se transformou em ao. Quando isso acontecer, o a será craseado)



            Apresentei-me a diretora     →     Apresentei-me à diretora.

            Apresentei-me ao diretor.



            Obedeço as leis de Deus.     →     Obedeço às leis de Deus

            Obedeço aos meus pais.



            Dedico-me as artes.     →     Dedico-me às artes.

            Dedico-me aos estudos.


I – De acordo com os modelos apresentados, siga o exemplo n. 1:

 1 – Ontem fui a praia. →         à praia       

      Ontem fui ao cinema.

2 – O diretor referiu-se a aluna. →  à aluna.

      O diretor referiu-se ao aluno.

3 – Recorreram a justiça. →   à justiça.

      Recorreram ao juiz.

4 – Cedi o livro a professora. →   à professora.

      Cedi o livro ao professor.

5 – Ele compareceu as reuniões. →  às reuniões.

      Ele compareceu aos ensaios.

6 – Permanecemos junto a porta.    →   à porta.

      Permanecemos junto ao portão.

7 – Ninguém é insensível a dor.   →   à dor.

      Ninguém é insensível ao sofrimento.

8 – O Prefeito chegou a festa acompanhado de seu principal assessor. → à festa   

      O Prefeito chegou ao evento acompanhado de seu principal assessor.

9 – O Presidente assistiu a manifestação de seus funcionários mais próximos. → à manifestação  

      O Presidente assistiu ao encontro de seus funcionários mais próximos.

10 – Os alunos fizeram, durante o último verão, um passeio a Serra da Canastra. → à Serra da Canastra      

Os alunos fizeram, durante o último verão, um passeio ao Parque Municipal.


II – Preencha as lacunas com a, as, à ou às.

 1 – Na escola em questão, exige-se a assistência às aulas.

2 – Ela foi à feira, depois à modista.

3 – O menino confessou a falta à diretora.

4 – Se as coisas continuarem desse modo, o Governador deverá recorrer à Justiça.

5 – Chovia muito, quando a vítima se dirigia à Praça Dom Joaquim.

6 – A belonave, antes de ser incorporada à Marinha Brasileira, pertencia à Marinha Inglesa.

7 – É de se esperar que as freiras prestem obediência à Madre Superiora.

8 – A sentinela conduziu à prisão o condenado.

9 – Prefiro os cravos às margaridas.

10 – Quando estávamos junto à fogueira, deu-se início à festa.

quinta-feira, 8 de março de 2012

CRASE

      Prometi, em postagem anterior, apresentar algumas lições do livro que lancei recentemente, intitulado Gramática nunca mais 2 (www.comunicacaodefato.com.br).
        Não vai ser possível apresentar aqui todo o conteúdo do livro. Este blog pretende apenas desafiá-lo em três aspectos: 1) Saber como está o seu "português" (entenda-se: a escrita do português padrão); 2) Motivá-lo a resolver os exercícios restantes do livro, que não serão publicados aqui; 3) Provar, por A + B, que é perfeitamente possível dominar o português padrão sem necessidade de aprender gramática.
        Vamos começar com este verdadeiro "espinho na garganta" dos usuários do português, que é o emprego do acento indicador da crase. Você sabe usá-lo conveniente? Na próxima postagem vou dar as respostas.

Þ Observe: na frase a seguir foi usado um acento sobre o à (chamado acento grave).

No ofício do Delegado encontram-se todas as explicações relativas        à        promoção.


DESAFIO
(O desafio é só para ver como você está nessa questão. No final da próxima postagem, darei as respostas)


Þ Vamos ver se você é capaz de preencher os espaços corretamente com a, as, à, às:


1 - _____ partir de janeiro, _____ prestações deverão ser pagas no Banco Nova Vista.

2 – No caixa 1 serão feitos pagamentos _____ vista e no caixa 2, pagamentos _____ prazo.

3 – Todos deverão se apresentar _____ Diretora, _____ quatorze horas.

4 – Os reclamantes disseram que vão recorrer _____ justiça.

5 – Sentou-se _____ mesa e começou _____  escrever _____ máquina.

6 – Decidiu não mais voltar _____ Argentina, mas retornou _____ Portugal depois de dois meses.

7 – O ar cheira _____ gasolina.

8 – Mariana comprou alguns quadros _____ óleo para enfeitar _____ minha sala.

9 – Chegamos _____ portaria _____ nove horas, para assistir _____ inauguração da escola.

10 - _____ direita havia nomes gravados _____ canivete.


            Veja como está a sua cotação:

                        16 a 20 acertos            →        Ótimo

                        11 a 15 acertos            →        Bom

                        6 a 10 acertos              →        Regular

                        1 a 5 acertos                →        Atenção          


Þ Observe:


            Iremos a praia.     →     Iremos à praia.

            Iremos ao museu.


(Ao substituirmos a palavra feminina praia pela palavra masculina museu, o a se transformou em ao. Quando isso acontecer, o a será craseado)


            Apresentei-me a diretora     →     Apresentei-me à diretora.

            Apresentei-me ao diretor.



            Obedeço as leis de Deus.     →     Obedeço às leis de Deus

            Obedeço aos meus pais.



            Dedico-me as artes.     →     Dedico-me às artes.

            Dedico-me aos estudos.



I – De acordo com os modelos apresentados, siga o exemplo n. 1:


1 – Ontem fui a praia. →         à praia            

      Ontem fui ao cinema.

2 – O diretor referiu-se a aluna. →  _______________________

      O diretor referiu-se ao aluno.

3 – Recorreram a justiça. →   ____________________________

      Recorreram ao juiz.

4 – Cedi o livro a professora. →   _________________________

      Cedi o livro _____ professor.

5 – Ele compareceu as reuniões. →  ____________________________

      Ele compareceu _____ ensaios.

6 – Permanecemos junto a porta.    →   _________________________

      Permanecemos junto _____ portão.

7 – Ninguém é insensível a dor.   →   ________________________

      Ninguém é insensível ____________________.

8 – O Prefeito chegou a festa acompanhado de seu principal assessor. → ____________________  

      O Prefeito chegou ______________________ acompanhado de seu principal assessor.

9 – O Presidente assistiu a manifestação de seus funcionários mais próximos.   → ____________ 

      O Presidente assistiu ________________ de seus funcionários mais próximos.

10 – Os alunos fizeram, durante o último verão, um passeio a Serra da Canastra. →____________

       Os alunos fizeram, durante o último verão, um passeio____________________________


II – Preencha as lacunas com a, as, à ou às.


1 – Na escola em questão, exige-se _____ assistência _____ aulas.

2 – Ela foi _____ feira, depois ______ modista.

3 – O menino confessou ______ falta ______ diretora.

4 – Se as coisas continuarem desse modo, o Governador deverá recorrer ______ Justiça.

5 – Chovia muito, quando a vítima se dirigia _____ Praça Dom Joaquim.

6 – A belonave, antes de ser incorporada _____ Marinha Brasileira, pertencia _____ Marinha Inglesa.

7 – É de se esperar que as freiras prestem obediência _____ Madre Superiora.

8 – A sentinela conduziu _____ prisão o condenado.

9 – Prefiro os cravos _____ margaridas.

10 – Quando estávamos junto _____ fogueira, deu-se início _____ festa.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Os ciganos e o dicionário

A imprensa veiculou estes dias mais uma polêmica envolvendo a Língua Portuguesa. O Ministério Público Federal em Minas Gerais ajuizou uma ação civil pública contra a Editora Objetiva e o Instituto Antônio Houaiss, pelo fato de o famoso dicionário conter, segundo o Ministério, referências preconceituosas contra os ciganos. Continua o texto da ação civil: “A publicação faz semear aos que consultam esse significado a prática da intolerância, especificamente da intolerância étnica, em verdadeira afronta aos artigos 3º e 5º da nossa Constituição”.    

            Depois de dar o sentido literal ou denotativo do termo, no verbete cigano, o dicionário acrescenta, na acepção nº 5: “... que ou aquele que trapaceia, velhaco, burlador”. A questão central da polêmica é: os autores do dicionário agiram corretamente ou há, de fato, por parte deles, uma atitude preconceituosa?

            Cientificamente falando, os bons dicionários (como são o Houaiss, o Aurélio e o Michaelis, para citarmos apenas três) não podem acrescentar nada, alterar nada ou omitir nada, no que se refere ao registro de palavras, expressões e acepções. Se assim o fizerem, deixarão de ser científicos e passarão a ser, aí sim, arbitrários, prepotentes e, muitas vezes, preconceituosos. Se uma palavra tem uma determinada acepção em alguma parte do país, é obrigação do dicionarista registrar esse significado. Não compete ao lexicógrafo o direito de vetar um item lexical ou um determinado emprego de uma palavra, a não ser que se trate de uma obra com um objetivo específico, como um dicionário escolar, por exemplo, em que muitas palavras são omitidas por motivos óbvios.

            Se a palavra cigano tem essa conotação pejorativa, a culpa – se é que se pode chamar de culpa – não é do dicionário, mas  do povo, que é o verdadeiro dono da língua. Se a palavra cigano deixar de ter o sentido pejorativo na boca do povo, aí, sim, essa acepção deve ser retirada do dicionário. O certo é que, hoje, esse sentido existe na Língua Portuguesa, segundo as pesquisas do Instituto Houaiss.

            Se a moda pega, ou seja, se pessoas ou organismos quiserem vetar palavras ou acepções nos dicionários, o trabalho vai ser muito grande. Vejamos apenas três casos, retirados do Houaiss, em que são dadas outras acepções, além do sentido denotativo: judeu   – “pessoa usurária, avarenta”; baiano – “tolo, negro, mulato, ignorante, fanfarrão”; católico –  “que fala muito, tagarela” (emprego em Portugal).

Alguns comentários preciosos de um leitor

            Recebi alguns comentários, bastante interessantes e oportunos, a respeito do meu blog, ou, mais especificamente, da “bandeira” que carrego, intitulada “Gramática nunca mais”. Os comentários são do meu ex-aluno e brilhante jornalista do Estado de Minas, João Paulo Gomes. Vou extrair alguns itens de sua argumentação, dizendo, desde logo,  que concordo com o grosso de suas colocações. Algumas questões pontuais que abordo são à guisa de complementação, mas não de discordância.

a) O autor da mensagem afirma que esse pesadelo chamado GRAMÁTICA ainda é muito difícil de combater. E acrescenta: “o maior problema é o próprio sistema de ensino”.

             De fato os tentáculos da máquina governamental exercem um poder enorme sobre o ensino de português. Vou citar apenas quatro exemplos para comprovar a ingerência indevida do poder público no ensino da língua portuguesa: 1) A criação da malfadada Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB), em 1958, que engessou o ensino nas escolas e fora delas, obrigando as gramáticas e os estudos linguísticos a se submeter à nomenclatura oficial; 2) O surgimento dos Parâmetros Curriculares Nacionais, em 1998, uma cartilha que mais confundiu do que esclareceu, principalmente no que se refere ao ensino da gramática; 3) O Plano Nacional do Livro Didático (PNLD) que, com a sua visão de cima para baixo, certamente não vai “aprovar” livros que não contenham gramática; 4) O papel equivocado de algumas faculdades de Letras, principalmente as federais, que não se importam com o ensino, mas, sim, com os últimos hits de Sorbonne e de Massachusetts.

            b) No que se refere à cobrança da gramática, diz o autor que o “vestibular é o grande problema”.

           É preciso lembrar, no entanto, que a UFMG e as grandes universidades brasileiras (principalmente as federais) não exigem mais conhecimentos gramaticais explícitos em seus exames de seleção. Exigem, sim, o desempenho linguístico da norma padrão, no que estão absolutamente corretas. Além disso, um grande aliado da nossa bandeira é o Enem, que também não exige definições, classificações e o emprego da nomenclatura gramatical.

            c) Segundo o jornalista, a gramática é um pouco prazerosa para ele.

           Concordo que ela seja prazerosa para algumas pessoas, mas, a meu ver, para a imensa maioria dos cidadãos brasileiros, ela não o é. Há pesquisas antigas sobre isso. Acho que as pessoas que gostam de gramática deveriam fazer o curso de Letras, este sim, o reduto onde ela deveria ser estudada a fundo. Mas logo nos primeiros períodos de Letras, os alunos percebem que a gramática tradicional está eivada de erros, contradições e impropriedades. É preciso partir (repito, apenas nos cursos de Letras) para o estudo de outros tipos de gramática, as gramáticas científicas, que são de grande interesse para o estudo da Linguística.

            d) Um último comentário. Diz o meu ex-aluno: “Penso que alguns assuntos abordados na gramática são úteis no aprendizado da Língua Portuguesa, contudo, a maneira como se ensina é que deve ser mudada”.

            Na minha opinião, o aluno tem que saber escrever corretamente, isto é, tem que saber ortografia, acentuação, pontuação, concordância verbal, colocação de pronomes, conjugação verbal, regência verbal, etc. Só que é perfeitamente possível saber tudo isso sem saber gramática (isto é, definição, classificação e nomenclatura). Agora pergunto aos leitores do meu blog: vocês duvidam? Então leiam o livro Gramática nunca mais 2, que publiquei recentemente (Editora Comunicação de Fato).

            Agradeço ao João Paulo a oportunidade que me deu de suscitar esses comentários.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Sobre o livro GRAMÁTICA NUNCA MAIS 2

Muitas pessoas me têm perguntado a respeito do livro Gramática nunca mais 2, que lancei em novembro do ano passado; afinal, qual é o seu conteúdo, a que público se destina, como devo utilizá-lo, qual é a “novidade” da proposta (se é que tem alguma novidade), enfim, para que serve o livro?

Em síntese, o que defendo é que é perfeitamente possível dominar o português padrão sem necessidade de aprender gramática. Você acha que isso é impossível?

Para demonstrar o meu ponto de vista, pretendo, a partir da próxima postagem, apresentar vários resumos dos capítulos do Gramática nunca mais 2. Espero, assim, convencer o caro amigo, ou amiga, de que: 1) O domínio da língua padrão é extremamente importante na vida; 2) Esse domínio pode e deve ser feito sem o estudo da gramática; 3) O estudo da gramática na escola tem contribuído para degradar o ensino de português; 4) É essencial que o estudo da disciplina português seja feito de maneira prazerosa e cause de fato interesse entre os alunos

Depois do Carnaval, começarei a apresentar esses resumos do meu livro. Espero que você se interesse pelo assunto e me envie dúvidas, críticas e sugestões.