terça-feira, 25 de junho de 2013

Afinal, como deve ser o ensino de português? (cont.)


Lição de português (III)
 
C – COMPREENSÃO DO TEXTO
 
I – O primeiro parágrafo do texto pode ser resumido da seguinte maneira:
1º parágrafo:  o chocolate apresenta uma substância (flavonoide), que previne contra os infartos.
Proceda da mesma maneira, com relação ao 2º e 3º parágrafos:
2º parágrafo: __________________________________________________________
3º parágrafo : __________________________________________________________
Procure resumir em uma frase o sentido principal do texto:
_________________________________________________________________________­­­­­­­­II – Coloque V (Verdadeiro), F (Falso) ou NP (Não pertinente, ou seja, se o assunto não é tratado no texto), de acordo com a posição expressa pelo autor do texto:
 
(     ) Todo tipo de chocolate é benéfico ao organismo.
(     ) O brasileiro consome mais chocolate que o boliviano.
(     ) As pessoas, de um modo geral, sentem remorso ao comerem muito chocolate.
(     ) O chocolate virou amigo do coração, porque favorece o romantismo.
(    ) O chocolate meio amargo faz bem ao coração, porque tem uma maior concentração de cacau.
(    ) O chocolate apresenta uma substância chamada flavonoide, que contribui para o aumento do  LDL no organismo.
(    ) Os chocolates ao leite ou feitos de chocolate branco não são ricos em flavonoides.
 
III – Explique a última afirmativa do texto:
“... o chocolate virou amigo do coração, mas continua inimigo da balança.”
 
IV – Segundo a sua opinião, qual é a informação nova mais importante da reportagem? O que justifica o autor ter escrito uma reportagem como esta?
 
V – Deve um jovem fazer dietas ou regimes para emagrecer e/ou manter a forma física?
 
VI – Na sociedade em que vivemos, a aparência física influencia no julgamento que fazemos a respeito das pessoas? O que você pensa disso?
 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Afinal, como deve ser o ensino de português? (cont.)


Lição de português (II)
 

B) PRÁTICA  LINGÜÍSTICA
 
I – “Você consome chocolate em porções além do razoável.”
Em português existe porção e poção. Dê o sentido de poção e construa uma frase com
essa palavra:___________________________________________________________________
____________________________________________________________________

 
II – “...o consumo moderado de chocolate amargo pode evitar infartos.
A palavra infarto pode ser escrita de várias maneiras. Quais são elas?
_____________________________________________________________________
 
Uma pessoa que sofre um infarto é um _________________.
 
III – Observe que estranho se escreve com s. Complete os espaços com s ou x e distribua as palavras abaixo em dois grupos, conforme o modelo:
e__terno, e__culpir,  e__traordinário, e__periente, e__crúpulo, e__coar, e__plícito, e__pansivo, e__pedição, e__copo, e__plodir, e__corbuto, e__posição, e__pressão, e__comungar, e__clamar, e__crutínio, e__culhambar, e__drúxulo, e__tremo.

COM  X
 
    COM  S
        externo
       esculpir

 
Complete as frases abaixo com as palavras que você colocou no quadrinho:
1 – Michelangelo, um famoso artista italiano, _______________ uma obra-prima intitulada Pietà.
2 – O sócio daquela empresa agiu sem nenhum _______________. Aplicou o dinheiro onde não devia.
3 – O Diretor foi ___________________ em suas determinações: ninguém poderá vir sem uniforme.
4 – O professor de Matemática é muito ________________. Brinca com todos os alunos.
5 – A pesquisa em grupo tem o seguinte __________________: determinar as causas da leptospirose.
6 – O ______________ é causado pela carência da vitamina C.
7 – O herege foi _________________ pela Igreja.
8 – Os papas são escolhidos em _________________ secretos.
9 – O advogado, ao defender o seu réu, apresentou argumentos ____________________.
10 – O delegado apelou para um recurso ____________: mandou prender os suspeitos.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Afinal, como deve ser o ensino de português? (cont.)


Afinal, como deve ser o ensino de português? (cont.)

         Passo a apresentar, como prometi na última postagem, um modelo de Lição de Português, como propus no meu livro Gramática: nunca mais (I) (Ed. Martins Fontes).

            A Lição compreende as seguintes partes:

                        I – Prática da leitura – a) Vocabulário

                                                            b) Prática linguìstica

                                                            c) Compreensão do texto

                                                            d) Expressão oral

                        II – Exercícios em língua padrão

                        III – Produção da escrita

            Para que a postagem não fique muito sobrecarregada, transcrevo apenas uma parte do texto e as partes iniciais dos exercícios.

 I – Prática da leitura – a) Vocabulário

 
VIVA  O  CHOCOLATE
 
         É sempre assim. Chega a Páscoa, você consome chocolate em porções além do razoável, e, ao final da comilança, vem o remorso. Quer uma boa notícia para diminuir seu sentimento de culpa? Cientistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, descobriram que o chocolate – pasmem! – faz bem à saúde. O estudo, apresentado recentemente na Associação Americana para o Avanço da Ciência, sugere que o consumo moderado de chocolate amargo pode evitar infartos. O segredo da iguaria estaria relacionado com uma substância de nome estranho: o flavonoide. Facilmente encontrada em frutas e vegetais, ela é capaz de combater os radicais livres que estão por trás do entupimento das artérias. Os flavonóides funcionam como potentes filtros sanguíneos: diminuem a formação de placas de gordura e transformam o colesterol ruim, conhecido como LDL, em substâncias que favorecem o bom funcionamento do coração.
...................................................................................................................................................
 
                                              Veja, Ed. Abril, ed. 1643, ano 33, n. 3, p. 152, 5 abr. 2000.

 1ª PARTE – PRÁTICA DA LEITURA

 A – VOCABULÁRIO

 I – Observe as frases abaixo, extraídas do texto. Procure no dicionário o sentido das palavras e expressões sublinhadas e construa outra frase com cada uma das palavras e expressões:
1 –  “...ao final da comilança, vem o remorso.”

remorso:________________________________________________________________________


___________________________________________________________________    

2 – “Cientistas da Universidade da Califórnia [...] descobriram que o chocolate – pasmem! – faz bem à saúde.”

pasmar:_________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
 
3 – “O segredo da iguaria estaria relacionado...”

iguaria:_______________________________________________________________
_____________________________________________________________________
4 – “...ela [a substância] é capaz de combater os radicais livres que estão por trás do entupimento das artérias.”
radical livre: ___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
5 – “Os flavonoides [...] transformam o colesterol ruim...”
colesterol: ________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

terça-feira, 21 de maio de 2013

Afinal, como deve ser o ensino de português?


            O caro leitor, que tanto pode ser um professor de português como uma pessoa interessada no ensino eficiente do idioma pátrio, poderá me questionar a respeito dos problemas que apresentei nas páginas deste blog: afinal, como deve ser o ensino de português? Ele se resume no aprendizado da chamada língua padrão? O contato constante com o texto – aliás, com todo tipo de texto – é importante para o aluno? Como levar o discente a escrever um texto com lógica, com sequência, com argumentação, enfim, como levar o aluno a ter um bom desempenho linguístico já na escola? Qual é a importância da interpretação de textos para o cidadão comum? E – at last but not at least – como conseguir que o aluno escreva corretamente, sem erros de ortografia, emprego de maiúsculas, concordância, regência, colocação, emprego de pronomes, conjugação verbal, uso de plural, etc.? Como conseguir tudo isso sem necessidade – como venho defendendo diuturnamente – de decorar toda aquela parafernália gramatical que nos foi legada pela velha escola e que insiste ainda em aparecer nos livros didáticos e frequentar os bancos escolares?

            No meu livro Gramática: nunca mais I (Ed. Martins Fontes) apresento dois modelos de lições de português. Cada modelo apresenta as seguintes partes e subpartes:

                        I – Prática da leitura – a) Vocabulário

                                                            b) Prática linguìstica

                                                            c) Compreensão do texto

                                                            d) Expressão oral

                        II – Exercícios em língua padrão

                        III – Produção da escrita

            Nas próximas postagens vou apresentar, com detalhes, como deve ser esta proposta para o ensino de português. Como você verá, a proposta se preocupa com dois aspectos principais:
            a) O aspecto conteudístico da disciplina, relacionado com a compreensão e a interpretação de textos,  a necessidade de levar o aluno ao raciocínio e à reflexão, a preocupação constante com a dedução, a indução, a comparação, etc., a inserção do aluno no mundo em que vivemos, a exercitação do discente na capacidade de pensar o mundo atual, etc.
            b) O domínio da língua padrão, desde os aspectos mais simples e elementares, como ortografia e pontuação, até as questões mais graves como concordância, regência, emprego do pronome relativo, passando, é lógico, pelo problema da lógica, da sequenciação, da clareza, etc.   

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Redações do Enem: a volta do "óbvio ululante"


        Suponhamos uma redação do Enem, cujo início fosse assim:

 

“A copa do mundo vai trazer muitos beneficio para o Brasil. Um dos mais importante vão ser as novas estrada que estão construindo no pais. É o caso de Belo horizonte por exemplo que esta sendo construido um monte de avenidas nova é o caso da aven. Antonio carlos e Cristiano machado duas principais avenidas para servir a nossa cidade. Outro beneficio são a construção de belos estádio como é o caso do Minerão que está uma belesa sem nenhum poblema e que dentro dele cabe mais de secenta mil pessoa acentada que assiste o jogo no maior conforto isso sem falar nos hotel que esta sendo construido à todo instante na cidade dentro e fora dela...”

 

        Não vamos corrigir esse texto, mas está claro que aí existem erros de: ortografia  (inclusive de acentuação gráfica e emprego de maiúscula), pontuação, paragrafação, concordância verbal, concordância nominal, emprego de pronome relativo, regência verbal, uso do acento indicador da crase, flexão de número, sequenciação de ideias, ilogicidade, repetição inadequada de palavras, etc. etc.

        O mais incrível de tudo isso é que só agora o Inep parece ter acordado para o problema. Até aqui “valia” escrever “trousse, enxergar, essas providências, no entanto, não deve ser expulsão” e “é fundamental que hajam debates”. Mas a sociedade brasileira, por meio principalmente da imprensa esclarecida, reagiu e obrigou o Ministro da Educação a ser explícito com relação ao assunto: sim, os erros de português serão corrigidos de acordo com a língua padrão! Voltou-se, assim, ao mais elementar dos ensinamentos da escola, ao “óbvio ululante” de Nelson Rodrigues: os alunos precisam dominar a língua padrão escrita. Afinal, é esse tipo de linguagem que vai ser usado pelos advogados, pelos jornalistas, pelos psicólogos, pelos técnicos em enfermagem e pelo cidadão de maneira geral.

        Algumas pessoas, no entanto, mesmo as mais estudadas, confundem as coisas e logo pensam: – Mas eu preciso saber gramática (ditongo, tritongo, pronome demonstrativo, advérbio, oração cooordenada, subordinada, reduzida, etc.) para escrever corretamente? De jeito nenhum. O importante é o desempenho, a prática, o uso. É preciso dominar a concordância verbal do português? Sim. Para isso não é necessário decorar as trezentas e vinte e sete regras de concordância, mas praticar bastante, como procuro fazer no meu livro Gramática nunca mais II – exercícios (Edit. Comunicação de Fato). Além disso, é preciso ficar claro que o Enem não exige dos candidatos em sua prova de Linguagens, códigos e suas tecnologias qualquer conhecimento teórico de gramática.

            Em síntese, um alerta para a prova do Enem: escrever correta e adequadamente, sim, mas sem necessidade de decorar a gramática.   

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Educação nas esquinas de Belo Horizonte


            Educar não é simplesmente entrar em uma sala de aula e recitar a lição do dia, não é apenas ajudar o filho a fazer o para casa e não é passar para alguém algum conhecimento ou informação. Mais do isso, educar é criar hábitos, é levar uma pessoa a pensar de  maneira diferente, é abrir caminhos desconhecidos.

            Você que conhece Belo Horizonte, que mora nesta cidade ou, melhor ainda, que nasceu aqui, certamente já passou pela Avenida Raja Gabaglia, já cruzou a Praça Raul Soares e certamente conhece algumas dessas ruas ou avenidas: Bernardo Guimarães, Bernardo Monteiro, Augusto de Lima, Levindo Lopes, Antônio de Albuquerque, Bias Fortes, Levindo Lopes, Professor Moraes, Santa Rita Durão, Francisco Sales, Francisco Sá, etc. Você sabe quem foram esses ilustres personagens, que deram nome a logradouros de uma região nobre de Belo Horizonte? Isso sem falar nos milhares de ruas, avenidas, praças, becos, vielas, viadutos, túneis, trincheiras, passarelas – perdidos e esquecidos nos confins desta cidade. Colho ao acaso alguns nomes, mas todos sabemos que a lista é muito grande: Aníbal Teotônio, Domingos Grosso, Faria de Brito, Guanhães, Gustavo da Silveira, Hélcio Corrêa, Itapemirim, Modestino França, Pedro Lessa, Raul Mourão Guimarães, Lagoa Doutada, Romualdo Lopes Cançado, Serra Azul, Teixeira de Magalhães, Urandi, etc., etc. Afinal, quem são essas pessoas? Que lugares são esses?

            Na cidade do Rio de Janeiro, a Prefeitura mandou colocar, abaixo do nome do logradouro público, uma breve informação: escritor mineiro (1927-1986); compositor carioca (1913-1971); Prefeito do Rio de Janeiro (1937-2005); cidade fluminense; capital do Paraná, rio da Amazônia, etc. Por que não fazemos o mesmo em Belo Horizonte? Uma providência tão simples poderia trazer uma informação preciosa para as pessoas e – o que é mais importante – despertar nos indivíduos o interesse por nossas coisas, por nossos antepassados e por nossas instituições. Quem sabe uma atitude como essa puderia nos aproximar mais da nossa História, do nosso rincão e dos nossos costumes?

            Informações desse tipo poderiam aguçar a curiosidade do belorizontino: embora tenha se apaixonado por Marília de Dirceu e casado com ela, em BH Tomás Gonzaga não cruza com a sua amada, embora esteja próximo dela. Já Alvarenga Peixoto consegue, sim, se encontrar com a sua amada, Bárbara Heliodora, no bairro de Lourdes. É bem verdade que Bárbara Heliodora pende um pouco para Tomás Gonzaga e se encosta nele. Mais interessante é o caso de Santa Rita Durão: embora localizado entre a Rua Cláudio Manoel (um inconfidente) e a Rua dos Inconfidentes, Santa Rita Durão não é inconfidente e muito menos uma santa da Igreja Católica; é um poeta mineiro, autor do poema épico Uirapuru, que viveu de 1722 a 1784.

sábado, 20 de abril de 2013

Redações do Enem: um problema sem solução? (continuação)


            Durante vinte anos participei da correção de redações do vestibular da UFMG. Pude testemunhar os desencontros e as contradições existentes entre as equipes avaliadoras e também dentro da mesma equipe. É claro que havia muita concordância na atribuição dos pontos, mas também um grande número de opiniões desencontradas. Por mais que se fizessem treinamentos dos professores – e esses treinamentos presenciais eram de fato realizados – ,  sempre havia opiniões discordantes. Observem a forma fizessem que usei no parágrafo anterior: muitos professores consideram correto o emprego de fizesse. Mas esse seria apenas um tipo de problema, relacionado com o aspecto formal do texto. Há inúmeros outros também graves, como estruturação do pensamento, sequenciação de ideias, logicidade de raciocínio, adequação de linguagem, tratamento do tema, etc. Acho simplesmente impossível que haja unanimidade de posições com relação à correção de redações, mesmo que se exija do candidato o emprego da linguagem formal.

            Além disso, é preciso considerar que o ato de escrever – mesmo em se tratando de escrita formal – tem a ver com o dom, com as habilidades pessoais. Há pessoas que adoram escrever e outros “fecham a cara” para esse tipo de atividade. Conheço um dentista, por exemplo, excelente profissional, que se nega a escrever duas linhas seguidas, passando essa tarefa para a secretária. A avaliação do Enem não pode se basear em habilidades pessoais. Alguns alunos não podem levar vantagem nas provas de redação por possuírem esse pendor natural. Além disso, pontuações como 870, 560 ou 320 são altamente suspeitas. Como se pode atribuir esses pontos? Qual é a fórmula mágica usada na correção? Se um candidato recebe 320 pontos em vez de 560, tal pontuação pode mudar ou comprometer uma vida inteira.

            Por outro lado, um aluno que não saiba escrever ou interpretar textos não pode fazer um curso superior. Como resolver esse problema?

            A meu ver, as redações deveriam ser enquadradas em quatro grupos: A – redações muito boas, sem problemas de qualquer espécie; B – redações acima da média; C – redações abaixo da média; D – redações com erros graves de comunicação e de linguagem (o aluno não tem condições de fazer um curso superior). Tomando como base o valor total da redação, as avaliações equivaleriam a 1000, 666, 333 e zero, respectivamente. É claro isso é apenas uma sugestão e adaptações poderiam ser feitas.

            Essa proposta não é infalível, mas parece ser bem mais justa, humana e exequível do que a do modelo vigente.